O sol e o magnetismo dos matizes. A densidade do calor revolvendo as águas. O calor inundando as janelas. O eclipse como uma noite prematura. Os sinais como transformações místicas.
Afonso terminava de pintar um quadro, quando uma nuvem envolveu o estúdio, tornando o local um quadro vivo, um castelo com torre alta, uma outra época. Ele chegou à porta, com o semblante decidido, e tomou Celeste nos braços. Ela, surpresa, envolta pelo mistério, sentiu seu corpo ser envolvido por uma sensação inebriante, fragrância do amor.
Afonso terminava de pintar um quadro, quando uma nuvem envolveu o estúdio, tornando o local um quadro vivo, um castelo com torre alta, uma outra época. Ele chegou à porta, com o semblante decidido, e tomou Celeste nos braços. Ela, surpresa, envolta pelo mistério, sentiu seu corpo ser envolvido por uma sensação inebriante, fragrância do amor.
Acordaram ao entardecer, com o desejo exalando dos poros, o amor querendo novas formas. Lá fora, as nuvens eram de várias tonalidades e bailavam à luz ensolarada, após a escuridão astronômica. As sombras, livres, libertas dos grilhões, formavam uma grande roda, de mãos dadas, entoando canções medievais.
Afonso e Celeste eram um só, na dimensão do prazer. Não diziam nada. Não era preciso. Os movimentos, os olhares, os gestos, bastavam. Compreendiam-se. Ela, terna, recebeu um toque na face ruborizada e permitiu que seus sonhos saíssem da caixa de Pandora. Névoas transparentes, pingos de chuva, reflexos, imagens grávidas, pássaros voando em formação, baleias saltando dos mares, dragões soprando labaredas, o céu tansbordando de um azul intenso. Tudo podia ser contemplado, enquanto os lábios encontravam-se, imantados pelo amor.
Passaram-se mil anos, apesar de parecer uma hora. Ali, o tempo não passou, permaneceu cristalizado no relógio de parede derretido, ampulheta imóvel. Cada um enxergava-se nos olhos do outro, viajava pela imaginação do outro, respirava a respiração do outro. Cada um era um espelho em que o outro via seu reflexo. Os dois jamais saíram de perto um do outro. Não podiam. Afonso e Celeste estavam selados pelo amor.



